Wednesday, 25 March 2015

Erasmo Carlos talks about Rita Pavone in 1964

Erasmo Carlos had been an early Rita Pavone connoisseur when he translated 'Alla mia età' for Denise Barreto's RCA single 'Na minha idade'. 

Chuva atrapalha o show que Carlos Imperial organizou em frente à TV Rio, em Copacabana, para badalar a ida de Rita Pavone à emissora, em 1964. 

Trecho do livro 'Minha fama de mau', de Erasmo Carlos, lançado pela Editora Objetiva em 2009, no qual Erasmo conta sobre um show impromptu que foi organizado por Carlos Imperial para saudar a passagem de Rita Pavone pelo Rio de Janeiro em 25 Junho 1964.

A chuva atrapalhou o show que Carlos Imperial organizou em frente à TV Rio, em Copacabana, para badalar a ida de Rita Pavone à emissora, em 1964. A ideia era, no dia da apresentação da cantora na TV, reunir uma multidão na rua, parando a cidade e impressionando os jornais. Um evento dispensável, afinal a cantora-fenômeno já era mais que badalada por si só. Não se falava de outra coisa. No rádio, nas festinhas e nos bailes, seus sucessos 'Datemi un martello' e 'Cuore' tocavam mais que 'Parabéns a você'. Seus clones se multiplicavam – cabelos curtos, botinhas, camisa branca de mangas compridas, calça preta e o indefectível suspensório.

Mas, como a cúpula da TV Rio pediu que Imperial se virasse para fazer algo que chamasse mais a atenção para Rita, ele correu atrás. Eu estava de bobeira em minha casa na Tijuca quando o telefone tocou. Era ele, gritando: - Figura, larga o que estiver fazendo e vem para a TV Rio agora! Telefona para quem você puder e manda todo mundo vir para cá para um grande show. Simonal e Marcos Moran já estão comigo.

Liguei para alguns amigos e saí a jato. Quando cheguei à emissora, logo ao saltar do táxi, já fui envolvido pela multidão. Imperial, nervoso, dava ordens aos berros, tentando organizar a bagunça. Aos poucos, os artistas foram chegando: Cleide Alves, Golden Boys, Trio Esperança, Roberto Rei (autor da adaptação do velho sucesso 'Ol' Man Mose' de Louis Armstrong 'História de um momem mau', sucesso com Roberto Carlos), Amilton, Selmita, Tony Checker e Gerson Combo entre outros.

O cast foi se encorpando, a aparelhagem foi ligada, a câmera colocada num lugar estratégico e, exatamente às 18h, começou o show no palco armado em frente à TV Rio. Enquanto a apresentação rolava, as pessoas que passavam por ali paravam curiosas para ver o burburinho, sem a mínima noção do que se tratava – como tudo foi feito na pressa, não havia cartazes pela cidade ou anúncios nas rádios. Com o acúmulo de gente, o trânsito também parou e começou o buzinaço. Em pouco tempo, o Posto 6, em Copacabana, já abrigava uma multidão.

Como tudo foi improvisado e a transmissão era ao vivo, às vezes entravam os comerciais com alguém ainda cantando e, quando voltava a aparecer o palco, a música já tinha acabado.

Uma chuva fininha começou a cair, causando certa apreensão. Mas mesmo com a garoa e sem a presença de muitos artistas, que estavam fora do Rio ou não foram encontrados, Imperial se saía bem. Apresentava os que chegavam, entrevistava o povão e convocava as pessoas para imitar a dança característica da Rita.

Na minha hora de cantar, não fiz por menos e entrei todo pimpão quando a banda atacou 'Terror dos namorados'. A emoção de quem está lançando uma música nova tomou conta de mim. Vibrava a cada compasso e a cada virada de bateria. Na parte da música em que a banda para, deixando soar os acordes para eu cantar “ eu beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo, beijo ... ” , o público foi à loucura, gritando sem parar. Confesso que me surpreendi com a reação e pensei comigo: “Caramba, estou agradando em cheio. O povo está gostando! Vou dar mais de mim.”

E dei. A visão dos pingos da chuva caindo sobre o facho de luz dos refletores, em contraste com o escuro do céu, tornava aquela demonstração de carinho emocionante para um iniciante como eu. A galera continuou pulando e me ovacionando cada vez mais. Agora também de braços erguidos, me saudando calorosamente.

De repente, caí do meu deslumbramento e despertei daquele sonho. Notei que os olhares, os aplausos e os acenos não eram para mim. E sim para alguém que estava no terraço da emissora. Virei meu pescoço num gesto brusco, olhei para o alto e vi, cercada pelo seu staff, a figura mignon de Rita Pavone, sorrindo e mandando beijinhos para a multidão ensandecida.

Anos mais tarde, em 1970, já famoso, a encontrei num show de Jorge Ben numa boate em São Paulo. Brinquei com ela:

-  Você lembra de mim naquele show de 1964, na porta da TV no Rio de Janeiro?

Após sua negativa, respondi:

-  Eu era um pingo da chuva que molhou você. 

Wednesday, 26 November 2014

August 1963 - RP's 1st record in Brazil


6 August 1963 - a little note in S.Paulo daily 'Diario da Noite' says: Rita Pavone the greatest European sensation has had her first disc released here; it is an extended-play  containing 'La partita di pallone', 'Come te non c'è nessuno', 'Alla mia età' & 'Clementine Cherie'.

Almost a year later - June 1964 - Rita Pavone visits Brazil and becomes a celebrity over-night.


26 June 1964 - S.Paulo daily 'Diario da Noite' says Rita Pavone would sing at a function promoted by them, but that was a bald lie since Pavone was under contract to perform at TV Record their concorrent. It's amazing how much the Brazilian could lie to the public and get away with.


27 June 1964 - 'Diario da Noite' keep on lying about Rita Pavone singing at 'Ouro para o bem do Brasil' (Gold for the good of Brazil) a civic campaign organized by the promoters of the Coup d'etat of 1st April 1964 that overthrew the democratic government of President João Goulart and installed a bloody Dictatorship that lasted a quarter of a century.


29 June 1964 - Rita Pavone finally paid her visit to the main building of Diarios Associados to donate something made of gold to the campaign 'Gold for Brazil's good'. 'Diario da Noite' finally tells the truth: Rita Pavone has spent just a few minutes at the lobby of the great hall, had a look at some of the jewlery given by other people and said 'Good-bye'.




Wednesday, 3 September 2014

1964 - 1965 Rita Pavone in Brazil


Rita Pavone & Paul Anka in a TV show in Germany in 1964
Rita was given a brand-new guitar by Giannini, the best manufacturer in Brazil
Rita sings at Teatro Record in São Paulo in April 1965.
in São Paulo in 1965
Rita and Mummy go to see a play in Rio de Janeiro in 1965.
at a collective interview in São Paulo in 1965.
Rita had a toothache in Rio de Janeiro in May 1965.
Rita in April 1965.
Brazilian press had a field-day with Rita 
Rita & her manager Teddy Reno that usually introduced her show at the theatre.
'Viva la pappa' introduced to Brazilians in April 1965 wasn't as successful as her rock tunes
more articles in magazines and Teatro Record 1964 booklet
Vandinha was one of many Rita Pavone look-alike 

Rita in Rio - 1965

A scrap-book bought in a flee-market

Doris Castro found this scrap-book one Sunday morning while browsing around at a flee-market in Bela Vista, São Paulo. She bought it for a certain amount of money she has never revealed. The original owner's identity is a mystery. Somehow it seems like it's a girl's work but it could have been a boy's too. It is mostly made up of articles and photos clipped out of newspapers and magazines. Supposing she was a girl, she used to buy two or three copies of the same magazine so she could cut out material from both sides of a page whenever the article ran longer than 2 sheets.

She also had a special way of getting Rita Pavone's record sleeves straight from an RCA Victor outlet for she pasted most of Pavone's record covers on her scrap-book.

The scrap-book was made of material printed between early 1964 and May 1965, precisely the period in which Rita Pavone was most popular in Brazil. If one wanted to chronicle Pavone meteoric rise and fall in the Brazilian skies one could not be luckier than stumbling into this very treasure.